A DESCIDA SÓ É POSSÍVEL A QUEM SUBIU!
- Ana Lícia Reis

- 30 de jan. de 2024
- 3 min de leitura

Tendemos a sofrer, por vezes antecipadamente, temendo as descidas que a vida pode nos trazer. Mas se você tiver muito medo de cair, saiba, você evitará os lugares onde o risco de queda esteja presente, e assim sendo, poderá evitar crescer e vivenciar novos espaços, quem sabe até o único lugar onde possa transbordar seus dons e talentos.
Nossa máxima potência só é experimentada quando somos desafiados na plenitude de nosso potencial.
PERDER É TÃO NECESSÁRIO QUANTO GANHAR. NÃO HÁ ARMAZENAMENTO POSSÍVEL PARA RETER INDEFINIDAMENTE. Na verdade, ganho e perda, ambos se referem ao mesmo ponto, somente a vista é diferente, pois no tabuleiro da vida os altos e baixos são a totalidade da natureza. Não é castigo, só a dinâmica natural dos organismos vivos. A estabilidade prolongada, essa sim se tornará risco para vida.
Viver só no sucesso ou só no fracasso é uma impossibilidade, sendo seu custo a própria satisfação com a vida. Não aguentaríamos uma vida sem contrastes, complementos e movimento, que fosse absolutamente linear. A boa música utiliza-se da harmonia, que é o contraponto entre a sutileza e a intensidade, a combinação de notas para gerar sons que se equilibram entre si e nos levam a fluir.
O sucesso contínuo ou a perda contínua é uma ficção da nossa mente que seleciona cenas que demonstrem um ou outro, a inflação ou a vitimização, e não um e outro.
Imagine que você subiu uma montanha e esse era um desejo, você queria ver a vida daquele ponto. Muito bem, conseguiu! Que prazer, que alegria. E qual será o próximo passo? Parar por ali e nem se mexer com receio de rolar montanha abaixo? Construir seu reinado e ali permanecer administrando a conquista?
Quanto tempo dura um “para sempre”? Algum movimento será solicitado, ou mesmo você, irá desejá-lo.
Escolha uma posição ultra confortável, no melhor lugar que encontrar e peça para seu corpo permanecer ali, imóvel apreciando todo aconchego. Quanto tempo irá durar essa sensação até que precise mudar?
Para sempre não existe, pois a vida é impermanência, e nós somos a vida!
Do alto de sua montanha escolhida, em algum momento haverá um novo chamado, e como experienciar novas situações fora desse lugar, sem nunca se mover para baixo? Ah, um salto, um pulo de uma montanha para outra!
Pode ser uma possibilidade, a qual também carrega altos riscos. Então, talvez, ainda que indesejada, a descida poderá ser necessária e possibilitadora de grandes insights, para que uma nova subida seja experimentada posteriormente.
Na subida precisaremos promover impulso, energia para vencer. Já a descida, ela própria é o impulso, nosso desafio é controlar nossa velocidade. Assim, para descer precisaremos ter calma e paciência, pois ainda que queiramos passar muito rápido pela sensação de perda que a descida nos trás, o excesso de velocidade nos fará colidir. Descer com muita rapidez pode ser fatal.
Precisaremos aprender sobre o caminho no próprio caminho. Apesar dos vários manuais para o sucesso, poucas são as orientações para momentos de “fracasso”.
Esse tema é tratado em voz baixa, em grupos seletos. Assim, quem nunca caiu desconhece o aprendizado interior dessa jornada.
E aqui fica a reflexão: como seria um encontro para falarmos somente dos fracassos, ou daquilo que tendemos a considerar como tal?
Você já pensou que nossa vida começa numa descida? Seria o nascimento um “fracasso”? Para nascermos precisamos descer do ventre. A semente de gente é impulsionada a crescer até que precise rumar para baixo e sair daquele espaço seguro. E observe que descemos de cabeça!
Considerar conquistas como positivas e perdas como negativas é só mais um julgamento de nossa mente que teme o julgamento de outros.Como eu disse anteriormente, cochichamos sobre nossas perdas com vergonha, quando deveríamos conversar naturalmente sobre o tema. Afinal só quem já empreendeu subidas poderá vivenciar descidas, e assim conhecer as duas faces da oportunidade.
Sinto pelos que ficam agarrados à planície com medo de provar o gosto da jornada para cima, e sinto ainda mais, pelos que se agarram ao topo da montanha, cheios de ansiedade. E já tendo testado a própria força, preferem utiliza-la para lutar com a impermanência, evitando os ventos da mudança.
É exaustivo lutar com os princípios da vida!A terra pode não nos segurar quando a ventania soprar forte, ou o fogo esquentar demasiadamente, ou ainda, a água nos escorrer ladeira abaixo. É quando a vida nos chacoalha que relembramos de nossa essência mutante, exploradora, capaz de ir além dos dos altos e baixos, aprendendo não importa a direção que nos impulsione.
Dizem que mais importante que a velocidade é a direção. Penso agora, que mais relevante é o aprendizado consciente, esteja sua jornada apontada para cima, para baixo ou lateralmente.
Aprenda! E seja cada vez mais pronto para lidar com os altos e baixos da vida.
Texto escrito por Ana Lícia Reis. Mentora, Consultora, Terapeuta. Fundadora da PlenaMente DHO.






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