top of page
Naturalmente
Ana Reis, 2010.
Areia morna e macia, branca com estreitas estrias escuras.
Areia de rio, do ribeirão que ficava logo ali, descendo o morro.
Areia fofa, onde meus pés criavam desenhos que se transformavam em planos
e fuga.
Areia de relógio que escorre fazendo passar o tempo.
Areia pesada, em horas perdidas, caminhando de casa até a porteira.
Areia batida, deixando a estrada firme, bem perto da placa "Bom Jesus das Palmeiras".
Ali se anunciava nosso espaço de felicidade?
Areia fulgida.
Areia...
Alheia...
Aérea.
Anos se passaram naquela fazenda de areia.
Areia que só pode ver novamente nas praias, bem longe do areão.
Areia ao vento,
Árido deserto da memória,
Naturalmente, sem saber ao certo sua localização.
bottom of page


